A MÚSICA SACRA : O SOM SAGRADO









A música sacra, em sentido restrito (e mais usado), é a música erudita própria da tradição religiosa judaico-cristã. Em sentido mais amplo é usado como sinônimo de música religiosa, que é a música nos cultos de quaisquer tradições religiosas.

Natureza da música sacra

Argumenta-se que não há uma distinção precisa entre a música que expressa os sentimentos de natureza sagrada ou religiosa e que expressa os demais. As obras sagradas de Bach são musicalmente similares às seculares.[1] Mozart se utilizou de partes de suas composições religiosas em cantatas seculares e trechos de suas óperas para fins eclesiásticos. Uma missa também pode ser compilada somente a partir das composições seculares de Haydn.[2]
Por outro lado, Santo Agostinho afirma que "Cantar uma vez é rezar duas" (em latim: Qui cantat, bis orat),[3] sugerindo que há sim pensamentos e sensações que podem ser expressados pela música nos quais uma oração se oferece, separada das palavras da própria oração.
Música, ao contrário da arte ou da arquitetura, não representa objetos físicos e, ao contrário da poesia, é independente do pensamento proposicional. Assim, ela pode levar as emoções humanas a lugares que outras obras de arte não conseguem, uma prospecto de fuga da existência mundana.[1] Música também é apropriada para o caráter de sacrifício do culto, particularmente na tradição cristã, sendo uma oferenda a Deus. A música é uma maneira de permitir que um grande número de fiéis formem uma efetiva comunhão, expressando sua fé e sua oferenda juntos, em público. Finalmente, a música também tem um papel evangélico de atrair aqueles cujo entusiasmo pelos assuntos religiosos não é suficiente por si só.[1]

 Música no cristianismo primitivo

O cristianismo começou como uma pequena e perseguida seita judaica. A princípio, não houve ruptura com a fé judaica e os cristãos ainda iam às sinagogas e ao Templo de Jerusalém, assim como Cristo tinha feito, e, presumivelmente, ainda mantinham as mesmas tradições musicais em seus encontros privativos. O único registro de música comunal nos Evangelhos é no último encontro entre os discípulos antes da crucificação de Jesus.[4] Fora dos Evangelhos, há uma referência a São Paulo encorajando os efésios e os colossenses a usarem salmos, hinos e músicas espirituais.[5]
Posteriormente, há uma referência em Plínio, que escreve para o imperador Trajano (r. 61-113) pedindo conselhos sobre o que fazer com os cristãos da Bitínia e descreve a prática que eles tinham de se encontrar antes do nascer-do-sol e repetir, antifonalmente "um hino para Cristo, como se fosse para Deus". A salmódia antifonal é a música cantada ou tocada de forma alternada por grupos distintos. A estrutura simétrica dos salmos hebreus torna possível que este método antifonal tenha se originado os serviços litúrgicos dos antigos israelenses. De acordo com o historiador Sócrates Escolástico, a introdução deste tipo de canto no culto cristão se deu por causa de Inácio de Antioquia (m. 107) que, numa visão, havia visto os anjos cantando em coros alternados.[6]
O uso de instrumentos na música do cristianismo primitivo parece não ter tido boa recepção. No final do século IV e início do V, São Jerônimo escreveu que uma donzela cristã não deveria sequer saber como se parecem um lira ou uma flauta, ou pra que servem.
Tradicionalmente, acredita-se que a introdução do órgão se deu no tempo do papa Vitaliano, no século VII.

 Outros

A expressão foi cunhada pela primeira vez durante a Idade Média, quando se decidiu que deveria haver uma teoria musical distinta para a música das missas e a música do culto, e tem em sua forma mais antiga o canto gregoriano. A música sacra foi desenvolvida em todas as épocas da história da música ocidental, desde o Renascimento (Arcadelt, Des Près, Palestrina), passando pelo Barroco (Vivaldi, Bach, Haendel), pelo Classicismo (Haydn, Mozart, Nunes Garcia), pelo Romantismo (Bruckner, Gounod, César Franck, Saint-Saëns) e finalmente o Modernismo (Penderecki, Amaral Vieira).
Algumas formas que se enquadram dentro da música sacra são os motetes, que são peças baseadas em textos religiosos - quase sempre em latim, os salmos, que são uma forma particular de motetes baseadas no Livro dos Salmos, a missa, oriunda da liturgia católica e geralmente dividida em seis partes básicas (Kyrie, Gloria, Credo, Sanctus, Benedictus e Agnus Dei) e o réquiem, ou missa dos mortos, que inclui as partes básicas da missa e mais outras (Dies Irae, Confutatis, Lacrimosa, etc.).
Alguns textos musicados em motete, por vários compositores, são:

 





Referências

  1. a b c Oxford Companion to Music, article 'Church Music'
  2. Catholic Encyclopedia
  3. Augustine of Hippo Sermons 336, 1 PL 38, 1472
  4. Mateus 26:30
  5. Efésios 5:19 e Colossenses 3:16
  6. Schaff and Wace, book VI, chapter VIII, vol 2, p 144
Fonte:http://pt.wikipedia.org/wiki/

COMPREENDENDO A MÚSICA CLÁSSICA

A música sacra pode ser compreendida em sentido mais limitado, denotando a música de natureza erudita inerente à tradição judaico-cristã. Ou ser percebida em seu significado mais amplo, referindo-se a toda música executada nas cerimônias de toda e qualquer religião.

Os pesquisadores divergem a respeito do que seja realmente a música sacra. Geralmente ela é conceituada como musicalidade não profana, criada para animar os sentimentos humanos da natureza do sagrado e da espiritualidade. Vale lembrar que uma canção ser composta por um autor religioso não a transforma necessariamente em uma música sacra. Assim sendo, embora toda musicalidade sacra seja de teor espiritual, nem toda composição religiosa é uma canção sacra. Ela deve ter uma aura de santidade.
O uso deste termo foi registrado pela primeira vez na Era Medieval, quando se concluiu que era necessário elaborar uma teoria musical específica para as canções executadas nas missas e na adoração a Deus. Sua expressão mais remota é o canto gregoriano, gênero musical de cunho vocal, composto por uma única melodia.
Este estilo musical aparece ao longo da história da música no Ocidente, desde o Renascimento, marcado pela presença de Jacques Arcadelt, Dés Pres e de Giovanni Pierluigi da Palestrina; atravessando o Barroco com Bach e Haendel; seguindo pelo Classicismo, nas obras de Haydn, Mozart, Nunes Garcia; caminhando para o Romantismo através de Bruckner, Gounod, César Franck e Saint-Saëns; até atingir o Modernismo, por meio de Penderecki e Amaral Vieira.
Alguns conhecedores religiosos da música sacra estabelecem suas principais qualidades, aquelas que devem estar presentes para que se defina uma canção como de natureza sacra. Entre elas, consta que a música deve: disseminar um ponto de vista autêntico sobre a Divindade; transmitir no conteúdo uma revelação presente na Bíblia e na doutrina de cada religião; estimular a vivência do testemunho de Jesus; ser completamente oposta à música profana; conter uma oração em sua essência, justificando como arremate final o amém; submeter a técnica musical aos fatores religiosos; ajudar o crente a perceber suas imperfeições com clareza; levar o devoto a perceber o significado do seu próprio sacrifício no desenvolvimento de sua fé; incentivar a emergência das emoções espirituais que levam o Homem a louvar o Criador; atuar apenas como meio de glorificação divina, não como entretenimento – máxima extraída das palavras do compositor Sebastian Bach.
Os chamados motetes, peças inspiradas em escritos religiosos, geralmente criadas em latim, são algumas das expressões sob as quais se apresenta a música sacra. Outras manifestações sacras são os salmos, formato mais específico dos motetes, fundamentados no Livro dos Salmos; a missa, proveniente do cerimonial católico, normalmente dividido em seis etapas principais – Kyrie, Gloria, Credo, Sanctus, Benedictus e Agnus Dei; e o réquiem ou missa dos mortos, que engloba as categorias essenciais da missa, acrescidas do Dies Irae, do Confutatis, da Lacrimosa, entre outras.

Fontes:
http://www.musicaeadoracao.com.br/artigos/meio/musica_sacra.htm
http://pt.wikipedia.org/wiki/Música_sacra
http://pt.wikipedia.org/wiki/Canto_gregoriano

http://www.infoescola.com/religiao/musica-sacra/

Princípios gerais

1. A música sacra, como parte integrante da Liturgia solene, participa do seu fim geral, que é a glória de Deus e a santificação dos fiéis. A música concorre para aumentar o decoro e esplendor das sagradas cerimônias; e, assim como o seu ofício principal é revestir de adequadas melodias o texto litúrgico proposto à consideração dos fiéis, assim o seu fim próprio é acrescentar mais eficácia ao mesmo texto, a fim de que por tal meio se excitem mais facilmente os fiéis à piedade e se preparem melhor para receber os frutos da graça, próprios da celebração dos sagrados mistérios.
2. Por isso a música sacra deve possuir, em grau eminente, as qualidades próprias da liturgia, e nomeadamente a santidade e a delicadeza das formas, donde resulta espontaneamente outra característica, a universalidade.
Deve ser santa, e por isso excluir todo o profano não só em si mesma, mas também no modo como é desempenhada pelos executantes.
Deve ser arte verdadeira, não sendo possível que, doutra forma, exerça no ânimo dos ouvintes aquela eficácia que a Igreja se propõe obter ao admitir na sua liturgia a arte dos sons. Mas seja, ao mesmo tempo, universal no sentido de que, embora seja permitido a cada nação admitir nas composições religiosas aquelas formas particulares, que em certo modo constituem o caráter específico da sua música própria, estas devem ser de tal maneira subordinadas aos caracteres gerais da música sacra que ninguém doutra nação, ao ouvi-las, sinta uma impressão desagradável.
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Trecho do Documento Tra Le Sollicitude DO SUMO PONTÍFICE PIO X SOBRE A MÚSICA SACRA


São Pio X (1903-1914): [...]“A música sacra, como parte integrante da Liturgia solene, participa do seu fim geral, que é a glória de Deus e a santificação dos fiéis. A música concorre para aumentar o decoro e esplendor das sagradas cerimônias; e, assim como o seu ofício principal é revestir de adequadas melodias o texto litúrgico proposto à consideração dos fiéis, assim o seu fim próprio é acrescentar mais eficácia ao mesmo texto, a fim de que por tal meio se excitem mais facilmente os fiéis à piedade e se preparem melhor para receber os frutos da graça, próprios da celebração dos sagrados mistérios.

Por isso a música sacra deve possuir, em grau eminente, as qualidades próprias da liturgia, e nomeadamente a santidade e a delicadeza das formas, donde resulta espontaneamente outra característica, a universalidade.

Deve ser santa, e por isso excluir todo o profano não só em si mesma, mas também no modo como é desempenhada pelos executantes.

Deve ser arte verdadeira, não sendo possível que, doutra forma, exerça no ânimo dos ouvintes aquela eficácia que a Igreja se propõe obter ao admitir na sua liturgia a arte dos sons. Mas seja, ao mesmo tempo, universal no sentido de que, embora seja permitido a cada nação admitir nas composições religiosas aquelas formas particulares, que em certo modo constituem o caráter específico da sua música própria, estas devem ser de tal maneira subordinadas aos caracteres gerais da música sacra que ninguém doutra nação, ao ouvi-las, sinta uma impressão desagradável.”[...] (Tra Le Solicitudine - 1903)

Servo de Deus Pio XI (1922-1939): [...] “Aqui é oportuno recordar que por antiga e constante disciplina da Igreja, como também em virtude das mesmas Constituições Capitulares, hoje todavia vigentes, é necessário que todos quantos estejam obrigados ao ofício coral conheçam, ao menos na medida conveniente, o canto gregoriano, ao qual hão de ajustar-se todas as Igrejas, sem exceptuar nenhuma, entenda-se só àquilo que tiver sido restituído à fidelidade dos antigos códices, e já dado pela Igreja como edição autêntica [vaticanis typis].”[...] (Divini Cultus Sanctitatem - 1928)

Venerável Pio XII (1939-1958): [...]“Por isso, deve a Igreja, com toda diligência; providenciar para remover da música sacra, justamente por ser esta a serva da sagrada liturgia, tudo o que destoa do culto divino ou impede os féis de elevarem sua mente a Deus.

E, de fato, nisto consiste a dignidade e a excelsa finalidade da música sacra, a saber, em - por meio das suas belíssimas harmonias e da sua magnificência - trazer decoro e ornamento às vozes quer do sacerdote ofertante, quer do povo cristão que louva o sumo Deus; em elevar os corações dos fiéis a Deus por uma intrínseca virtude sua, em tornar mais vivas e fervorosas as orações litúrgicas da comunidade cristã, para que Deus uno e trino possa ser por todos louvado e invocado com mais intensidade e eficácia. Portanto, por obra da música sacra é aumentada a honra que a Igreja dá a Deus em união com Cristo seu chefe; e, outrossim, é aumentado o fruto que, estimulados pelos sagrados acordes, os fiéis tiram da sagrada liturgia e costumam manifestar por uma conduta de vida dignamente cristã, como mostra a experiência cotidiana e como confirmam muitos testemunhos de escritores antigos e recentes.”[...] (Musicae  Sacrae Disciplina - 1955)

Beato João XXIII (1958-1963)[...] “ Igualmente, se por uma parte é necessário promover o canto uníssono dos fiéis- voz unânime e símbolo da única e mesma caridade [...] Para assegurar que as Scholae Cantorum sejam estimadas, e onde chegaram a definhar ou decair, ressurjam a uma nova vida[...] Não será pouco o trabalho, mas mais numerosos serão os frutos que se colherão, à maior glória de Deus e proveito da vida cristã”[...] (Iucunda Laudatio – 1961)

Beato João Paulo II (1978-2005): [...]“Com efeito, a música e o canto não representam um mero decoro ou um ornamento que se sobrepõe à acção litúrgica. Pelo contrário, eles constituem uma realidade unitária com a celebração, consentindo o aprofundamento e a interiorização dos mistérios divinos.”(...) É necessário que o "cantar na liturgia" nasça do "sentire cum Ecclesia". Só assim a união com Deus e a capacidade artística se unem numa feliz síntese em que os dois elementos o canto e o louvor penetram toda a liturgia.[...]” ( Discurso aos membros do Pontifício Instituto de Música Sacra – 2001)

[...] “De fato, as palavras, que tanta importância têm na celebração litúrgica, mais sublinhadas são por meio do canto e assim recebem especial expressão de solenidade, beleza e dignidade, que permitem à assembleia sentir-se de alguma sorte mais próxima da santidade do Mistério mesmo que atua na liturgia. (...) Na atualidade é sumamente necessário que o patrimônio musical da Igreja seja apresentado e desenvolvido não só entre as novas e juvenis Igrejas mas também entre aqueles que tiveram conhecimento dos séculos do canto gregoriano e polifônico em língua latina. Agora, introduzido o costume das línguas vernáculas, vêem que se requerem outras formas idôneas de música na liturgia.” (Carta ao cardeal Höffner – 1980)

Fonte:http://caius-santachiesa.blogspot.com.br/p/musica-sacra.html



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